terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Bendizei ao Senhor

Bendizei ao Senhor todos vós,
servos do Senhor,
que assistis na casa do Senhor
todas as noites.
O Senhor que fez
o céu e a terra,
te abençõe desde o Sião
(SI 134.1,3.)

Foto cedida com o carinho da Irmã Eliana
Que ocasião estranha para a adoração,
dirá o leitor;
ficar na casa do Senhor
de noite,
- adorar, diríamos,
na hora profunda do sofrimento...
De facto, é uma coisa difícil.
Sim, e aí está a benção;
é o teste da
perfeita fé.
Se eu quero conhecer realmente
a amizade de alguém,
preciso ver o que o meu amigo
me fará na hora da dor.
Assim também é com o
amor de Deus.
É fácil, para mim,
adorar o Senhor
nos dias de
sol do verão,
quando o ar está cheio de melodias,
e as árvores, de frutos.
Mas cesse o canto das aves e caiam os frutos,
continuará a cantar o meu coração?
Ficarei na casa de Deus de noite?
Igreja N.S. das Necessidades - Soalheira
Continuarei a amá-LO,
na hora do Seu sofrimento?
Vigiarei com ELE
ao menos uma hora
no Seu Getsemani?
Ajudarei a carregar a
Sua cruz pela via dolorosa?
Ficarei ao lado d'ELE
nos seus momentos finais,
como Maria e o Seu discípulo amado?
serei capaz de, como Nicodemos
tomar-Lhe o corpo morto?
Então o meu culto é completo
e a minha benção gloriosa.
O meu amor acompanhou-O
na Sua humilhação.
A minha fé encontrou-O
na Sua humildade.
O meu coração reconheceu
a Sua majestade
através do Seu disfarce,
e eu sei, finalmente,
que desejo não os dons,
mas o Doador.
Quando posso ficar na
Sua casa pela noite,
é porque
O aceitei por causa
d'ELE mesmo.

George Matheson
Mananciais no Deserto
Lettie Cowman
Igreja S.Maria - Óbidos
Amigos Seguidores,
ao ler este texto recheado dum conteúdo riquíssimo,
achei muito adequado e fiz um paralelo,
com o que se passa actualmente,
aquando o falecimento de algum
ente querido, parente ou amigo.
Porque quem amamos verdadeiramente
é que merece todo o nosso carinho e respeito.
É a derradeira noite terrena na sua companhia...
é certo que não vamos dar vida...
mas o deixar o seu corpo abandonado no catre...
é, pelo menos, deveras cruel,
insensível, comovente.
Há quem apele e bem,
pelos animais, pelo seu bem-estar ...
mas,
com os seus familiares
fazem isto...
deixam-nos abandonados na sua
derradeira noite,
e agarram-se ao comodismo
de que se tem de
fechar as igrejas...
É certo que, na época actual,
é muito perigoso
ficarmos durante toda a noite a velar
os nossos entes queridos já falecidos.
Mas...
quando queremos muito algo...
lutamos por isso...
é uma questão de se negociar...
é uma palavra muito utilizada
em questões materiais...
porque não usá-la
sentimentalmente falando.
Na maior parte dos casos,
é muito conveniente
dizer/aceitar que
as capelas mortuárias
têm de fechar durante a noite,
porque não é autorizado ficarem abertas...
é falso,
sempre me autorizaram a ficar
com a chave da capela,
desde que "negociei"
a responsabilidade de ficar fechada
no interior
Igreja S.Maria - Óbidos
...mas, convenhamos que tal como os lares...
também são convenientes
para a maioria das pessoas
que não querem, mesmo podendo,
em questão de saúde ou de gerir
a sua vida adequadamente,
manter um seu idoso
na sua própria casa.
Hoje em dia ninguém tem tempo
ou a vida organizada
a pensar que um dia virá essa necessidade.
Sei que os filhos, quando
já autónomos,
ao montar as suas casas
e na maior parte das vezes
às custas ou com a ajuda dos seus pais...
nem reservam um pequeno espaço
(sofá-cama ou divã),
a contar com uma noitinha,
para partilharem as suas companhias,
todos juntos nos seus novos lares.
Os pequenotes
não têm o privilégio
de dar as boas noites aos avós e vice-versa
na sua própria casa,
junto com o seu
mundo dos brinquedos...
nem podem ouvir uma história
contada por esses seres idosos,
seus progenitores mais longínquos,
nas caminhas dos seus lares.
Nem viverem o alvoroço e a azáfama
de fazer camas extras
e pularem nelas até tombarem de cansaço,
pela alegria de terem os
avós em suas casas,
por uma noite,
a ficarem debaixo do mesmo tecto.
Quanto aos lares...há situações extremas...
há doenças tremendas
de debilidade mental e outras
e também há casos e casos...
mas também insisto, na maioria das famílias...
é bem mais cómodo
e menos cansativo acompanharmos
os últimos momentos dos nossos idosos desta forma.
Enfim, é o desamor, a insensibilidade, a
MODA.
Pois, se não nos sacrificamos
minimamente
pelos seres que nos deram a vida
e até, na maioria das vezes,
o nosso bem-estar,
como vamos então corresponder ao que
ELE
nos pede, senão
O vimos,
se é Espírito
e se sabemos que
ELE
é Amor e Perdão!
Foto tirada pela Net

Altura - Algarve

Não esquecemos os teus passos, respeitamos a tua ausência.
Caminhamos como se estivesses presente...e estás.

Pai, há cinco anos
que o brilho no Céu
para nós é mais intenso.
A liberdade
que tanto amavas
adquiriste-a agora.
Já voas com as aves...
e banhas-te nas águas do mar
sempre que te apeteça.
Já voltaste a nadar
e quem sabe,
mais alguém
salvar



Altura - Algarve


Côto - Caldas da Rainha
tu guardavas a rectidão
e praticavas a justiça
Daí, do Alto,
Faz a tua prece
igual à que fazias em vida.
Por todos nós,
como antigamente
e como...
sempre foste ouvido,
assim será.
Derradeira foto à beira-mar, perto das Azenhas do Mar
2004

Pai, agora confirmas,
por ti próprio,
o que me dizias:
é preciso trabalhar
à conquista
da Alegria da Salvação,
porque Deus
é Amor,
é Luz,
é Esplendor,
é Perdão!


o mais é ilusório é transitório.
Mas partir não é morrer,
é, tão simplesmente,
um dizer até logo,
Gabriel.
Foto tirada da Net
«Fiquem atentos, e rezem todo o tempo»
Evangelho de Domingo dia 20 Dezembro de 2009
Comentário do Evangelho: Maria visita Isabel

Feliz aquele/a
que acreditou pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido.



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Este dia do Doce Coração de Maria era o dia da Mãe...

Evangelho Domingo dia 13 Dezembro 2009
O povo estava esperando o Messias. E todos perguntavam a si mesmos se João não seria o Messias.
Por isso, João declarou a todos:
«Eu batizo vocês com água. Mas vai chegar alguém mais forte do que eu. E eu não sou digno nem sequer de desamarrar a correia das sandálias dele. Ele á quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo. Ele terá na mão uma pá; vai limpar sua eira, e recolher o trigo no seu celeiro; mas a palha ele vai queimar no fogo que não se apaga.»
João anunciava a Boa Notícia ao povo de muitos outros modos.
IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA ...

Uma singela homenagem
À Nossa Mãe do Céu
e às nossas Mães aqui na Terra e aos Anjos
que tiveram uma grande contribuição maternal
ao longo da vida desta família.

Além de ser o dia da Doce e Santíssima Mãe Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa,
aqui na nossa família continuamos a considerar o dia 08DEZ, o dia da Mãe.

Considerando a importância de se chamar "Mãe",
e até se diz que mãe há só uma,
penso que se pode rever esse conceito.

Observando a vida de uma forma mais atenta e abrangente,
por vezes, ao longo do nosso crescimento
pelas nossas veredas e caminhos,
até chegar à idade adulta,
vamos encontrando pessoas que também de certo modo,
foram como umas mães, para cada um de nós.
Até, por vezes, vieram acrescentar uma mais valia
à nossa verdadeira mãe biológica.
Mas... a minha mãe também teve anjinhos a ajudarem-na nessa tarefa,
e esses anjinhos que já voltaram para a
Casa do Pai,
foram também imprescindíveis na minha formação como pessoa.
Tinham nas suas asas uma bagagem recheada de amor, carinho,
bons exemplos e muita caridade
por tudo e por todos.
Fazem parte dos meus pilares como educadoras, tal como a minha mãe.
Não quero esquecer ninguém e se o fizer peço a Deus que me perdoe.

Quero com isto dizer que,
no meu caso particular,
tive, se assim se pode dizer,
várias mães.

Essas mães que até se diz serem
mãe duas, ou três vezes
(avós e bisavós).
Felizmente, eu fui agraciada e tive o privilégio, com a
Graça do Senhor,
de ter tido essa benção,
quer ao longo do meu crescimento,
quer aquando no nascimento, no parto
e no crescimento do nosso filho.

Imagem de Nossa Senhora
Tela pintada pela mãe com supervisão da
Pintora Neusa Negrão

Mer ao colinho da mãe
Debruçando-me sobre a minha Mãe biológica,
esse ser, para mim, era uma irmã mais velha que nunca tive,
a maior amiga, a minha confidente, a quem tinha de obedecer e respeitar.
Era uma troca de aprendizagem
Minha mãe também ia aprendendo comigo,
pois nós, os pais, vamos sempre aprendendo com os filhos.
Ainda hoje estou a ensinar e a aprender,
os saberes e as trocas de experiências
de amizade e de amor incondicional.
Fui uma filha que sempre sentiu ser muito amada por minha mãe
e eu, também procurei e felizmente, hoje ainda procuro, retribuir de igual forma.

Mer e Mãe
Já em Lisboa nos nossos passeios divertidos

Com a idade mais avançada, quer de uma quer de outra...
confesso que muita coisa mudou dadas as circunstâncias da vida
e, por vezes, já me falta a "paciência" que lhe deveria dedicar.
Assim sendo, por vezes, não é esse mar de rosas sem espinhos
que desejaria que sempre fosse.
Esse mar de vez em quando fica alterado, «sabes que sou osso duro de roer e
que não partilho, por vezes, das mesmas coisas que gostavas que assim fosse;
os teus objectivos são diferentes dos meus;
cada uma com a sua missão aqui na terra
e só temos que continuar
a sermos condescendentes uma com a outra, como sempre me ensinaste.
Para me ajudares nesta tarefa, peço-te que não esmoreças
quando a saúde acusar o peso dos teus aninhos;
eu também já os sinto a pesarem;
não entres em pânico, para eu também não ficar em pãnico.
Vamos ambas acreditar que ELE, que sempre nos protegeu,
vai continuar essa tarefa connosco
e nada de mal te vai acontecer, porque tiveste uma insónia,
ou o caruncho te doeu um dia mais que o outro.
As queixas em questão de saúde que sentes, também já as sinto;
há que aceitarmos serenamente e confiantes
o nosso desgaste físico e dos anos passados».
«Pela minha falta de paciência, Mãe, te peço mil desculpas e aceita o meu beijinho, beijinho».

Minha bisavó enquanto nova

Foram elas, as minhas
bisavó paterna e avós
que sempre me acompanharam bem de perto na
evolução do meu crescimento.
Lembro-me que, quando estive três anos em Faro,
vinha todos os anos nas férias grandes, passar essa temporada,
com a bisavó e avó paterna.
Durante esse período ficava à guarda desses seres maravilhosos
que me aturavam durante esse tempo e assim matávamos saudades umas das outras.
Sim, porque o meu pai assim prometeu, eu iria todos os anos visitá-las.
Lembro-me que vinha sózinha, de comboio, até ao Barreiro, entregue a mim própria com 7 e 8 anos
e depois chegava ao Terreiro do Paço.
Aí, tinha os meus tios que me levavam até às Caldas da Rainha.
Esses seres maravilhosos viram-me crescer durante dois anos consecutivos
na época dos três meses das férias...
e nós pequenotes, nessa altura, desenvolvemos competências e adquirimos hábitos
já comparados aos mais crescidos e assim por diante.

Nessa altura, aos sete anos, comecei a entrar pela janela...
sim, em vez de entrar pela porta da rua, trepava a parede e entrava pela janela.
A minha bisavó ficava aflita, mas eu, às escondidas ia fazendo das minhas.
Também recordo que a bisavó colocava as nozes que vinham do Retiro
a secarem ao Sol, no quintal .
Então, eu ia distribuindo nozes pelos meninos que andavam pela rua
nas suas brincadeiras.
Também a bisavó se inquietava por esta minha traquinice.

Vó, recordo com saudade os teus abraços e colinho,
especialmente quando te acompanhava ao Retiro que tu tanto amavas
e quando te alegrava e fazia-te brilhar esses teus belos olhos azuis,
ao receberes os tremoços que comprava à porta do Parque e que te levava às escondidas.

Mãe de Mer em bébé
e
Mãe de Regis

Regis e a sua Ama.

Mas... com o meu companheiro também além da
Mãe biológica, teve uma outra mãe, que naquela altura se chamava de ama.
Foi ela que lhe deu todo o carinho, colinho e amor.
Quanto ao nosso filho, foi um sortudo igual a mim.
Amado e acarinhado por duas bisavós
e pela avó materna
e ainda hoje, avó e neto, partilham o mesmo tecto,
com grande ternura e amor um pelo outro.
Também durante as férias era com a bisavó e avó maternas
que ele crescia e era cuidado,
enquanto nós, os pais, estávamos nas nossas ocupações profissionais .

Avó materna e Mer


Mais tarde, casada e grávida, tive novamente como mãe, a minha avó materna
que ao longo de toda a minha vida partilhou o nosso tecto,
mas que voltou a ajudar-me e muito, pois nem sequer me podia levantar da cama.

Se senão fosse esse ser angélico, que era um doce,
na partilha e sua boa vontade para ajudar o seu semelhante,
e neste caso,
o meu bébé, seu bisneto,
poderia não ter ido avante a minha gravidez de alto risco.
Pela minha forma de analisar e abordar o que ao longo da minha experiência vivi

e vendo as situações de cima para baixo, num todo,
por tudo isto, penso, que por vezes, durante a nossa vida,
vamos tendo Mãe e mãezinhas que
ELE Jesus e ELA, Sua Mãe Maria,
vão colocando no nosso caminho.

Elas estão sempre prontas a ajudarem-nos com a finalidade de nos aliviar nas nossas dificuldades do dia-a-dia.



Minha tia-avó Alice
Esta era a minha tia-avó que todos os anos me levava para a Costa da Caparica, para a praia,
e tinha o amor, a doçura e a pachorra de me aturar,
com a maior preocupação, porque no seu entender nunca me alimentava o suficiente.


Minha grande, grande amiga de sempre

que cada vez que lhe telefonava nem conseguiamos
articular palavras.... as lágrimas não deixavam.

...assim como esta amiga, muito especial
que também me aturou e deixou-me partilhar,
anos a fio, os serões na sua casa, na sua intimidade,
para ver o "Bonanza"
e outras séries que na altura passavam na TV, pois
era um bem que, na minha casa, ainda não tinhamos conseguido adquirido.




Mer antes de ser Mãe a sério...
dava colinho à "boneca grande", pois era assim que lhe chamava

Mer e seu querido e único filho
Agora era "o seu boneco pequenino"

Mer com filhote de nove meses - à beira Tejo

Assafora e Seteais - Sintra

Mer e filho
S. Martinho do Porto - 1986


Bisavós maternas com bisneto ao colinho

A ternura do bisneto pela Bisavó materna

Foi este anjo de Bisavó materna,
que com a sua plena entrega, e pela vontade de Deus
ajudou este filhote a vir ao Mundo

Avó e neto em amena e divertida pesquisa, ´
sabe-se lá de quê?
Tal como foi com Mer, mãe, amiga, companheira,
continua a sua mesma missão,
agora com o neto.

Companheiras inseparáveis Avó e Bisavó que
foram o suporte quando havia necssidade da ausência
dos pais

Conforme a idade avançava o carinho e ternura
do neto pela Bisavó também aumentava

Havia sempre um bocadinho de boa vontade
para a visita de matar saudades
afinal o cansaço era visível e o nosso anjo algum dia teria de partir.
Num Santo Domingo de Páscoa
serenamente e entre nós,
adormeceu... até um dia!
Duas destas Educadoras, excelentes profissionais, também foram
Educadoras do nosso netinho
durante alguns meses.
Fizeram também de mães enquanto o nosso filho frequentava estes serviços.
Sempre extremosas e atentas, prontas a contribuir para a boa estrutura moral das crianças que por lá passaram.

Outra grande Mãe que passou pela nossa Família
foi a professora da primária do nosso filho.
O amor é recíproco.

Ainda recordo o dia em que o meu filho, aos poucos, foi soltando a minha mão da dele,
para entrar para a sala de aula e ser confiado a esta brilhante figura
que teve um papel preponderante em tudo, no tocante à instrução e educação do nosso filho.
Ainda hoje mantemos grande estima, carinho e amor por essa fígura ímpar na vida do nosso filho.

Bem-haja nossa querida Amiga

Tem sido um acompanhamento constante e permanente
muito para além dos portões da Escola Primária

Mais tarde esta figura ímpar ainda o acompanhou na sua caminhada colegial.
Foi várias vezes assistir e acompanhar o
seu ex-aluno aquando das cerimónias de entrega de medalhas no CM.

Mer e netinho
Avó é ser-se Mãe duas vezes
Pois,... gostaria de pôr à prova esse ditado
Mas... por ora continuo à espera.
Que Deus entenda quando será!

Estas Mães estão aqui à disposição para dar muito
carinho, compreensão e amor.
Avó paterna, bisavós paternas e neto/bisneto
Para ficar de recordação um dia,
só ELE sabe.


A nossa "Spring".
Mãe de três filhotes

Como este blogue é de toda a família que vive aqui em conjunto,
estou a enumerar
caso a caso.

Mas... também houve aqui em casa um nascimento que nunca vamos esquecer.
Não sei se é assim que pensam....
mas nós consideramos os animais como se duma pessoa de família se tratasse.
Então, no dia 5 de maio de 1978,
estávamos a dormir e acordamos com uns
gemidos, choros indefinidos,
dum salto espreitámos a alcofinha de nosso bébé.
Só que nesse momento ele estava a dormir descansadinho
e a sonhar sabe-se lá com quê...
Ao investigarmos os ruídos que não paravam de se ouvir...
espreitámos a marquise onde repousava a nossa pastorinha alemã de nome
"Spring"
e para nosso espanto
O milagre da primavera do seu nome,
tinha-se materializado;
tinha acabado de dar à luz três filhotes lindos.
Um macho e duas fêmeas.
Por incrível que pareça, ela não estava a cuidar de uma das crias...
nem queria acreditar,
que a nossa "menina" deixasse um filhote perecer.

Mas, com a nossa ajuda,
falei-lhe energicamente e,
como se de um ser humano se tratasse,
entendeu-me, compreendeu
aceitou a cria que estava a desprezar
e
acabou por a higienizar e os três salvaram-se todos.
A partir deste epísódio
tornou-se uma mãe exemplar, tratando todas as suas
crias por igual
Incrivelmente deixou a marquise completamente limpa,
nem parecia que ali tinha havido um parto
de uma cadela e
que tinha tido três cachorrinhos.

Uma das cachorrinhas,
foi entregue à Enfermeira
que me assistiu no meu parto.
Esta foi mais uma Mãe/anjo,
que tive nessa altura, durante toda a noite,
no meu quarto do hospital
não tendo arredado pé de mim.

Essa cachorrinha também teve o nome de
"Spring"
e, tal como a mãe,
foi tratada como uma
princesa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ao recordar os Natais desta família...

Memórias do Natal…
A minha primeira memória do Natal
foi ter-me perdido com a minha avó materna,
na Quinta da Boneca, em Caldas da Rainha…
quando andávamos a apanhar musgo.
Ainda hoje consigo sentir a aflição de pensar que a noite se aproximava e nós, ali,
sem sabermos como sair daquele espaço verde, todo igual a si mesmo…
tal como a vida de cada um de nós,
quando andamos a apanhar o que achamos de belo e bom
para alindar as nossas vidas
e por vezes nos perdemos…
ou por isto, ou por aquilo, ou com isto, ou com aquilo….
e ficamos iguais a nós mesmos…
não nos modificamos,
e vem um ano e outro e
continuamos a mergulhar e a mergulhar
nesse musgo verde de esperança,
com cheiro característico duma nova vida vegetal,
mas vida.
Nesses tempos, era mesmo muito pequenina,
tinha 3, 4 e 5 anitos.
A família era muito numerosa.
Havia muitos avós de parte a parte, do lado do meu pai e da minha mãe,
bisavó, tios, primos.
Eu era a mais velha de 13 bisnetos dessa minha muito querida bisavó,
que ainda guardo no meu coração,
como se estivesse hoje a vê-la
com tanta idade
e a fazer as filhós e os coscorões na noite da consoada.
De manhã, bem cedinho,
lá ia à chaminé e encontrava os presentes,
os que vou recordar e outros que se foram esfumando
das minhas lembranças com o tempo e também com a memória…
sim porque a memória também já se gastou,
tal como os brinquedos que já lá vão…

Lembro-me de estar de joelhos no chão,
ao lado de minha mãe a montar o primeiro presépio,
feito de bonecos de cartão recortados e pintados por mim,
com a supervigilância de minha mãe,
para que tudo ficasse na perfeição.
Os pais por mais que supervigiem, quando tem de acontecer,
acontece e só Deus, o nosso Menino, nos poderá proteger.

Lembro-me que, nessa altura,
colocava-se a um canto da sala das refeições
uma árvore que para mim era gigante.
Tinha bolas coloridas e brilhantes,
daquelas que, com um pequeno toque, partiam-se.
E foi isso mesmo que aconteceu…
tinha um tio, irmão de meu pai, que eu muito amava,
e que apesar de ser meu tio e ser mais velho que eu,
a sua maturidade era a mesma de uma criança…
e os dois, tio e sobrinha, nesse ano,
deliciámo-nos a jogar à bola perto da árvore
e partimos, quando a bola lhe bateu,
uma quantidade enorme
daquelas bolas coloridas que enfeitavam a árvore de natal.
Exactamente como nas nossas vidas…
vamos jogando, jogando e partindo e deixamos
que nos partam, os sentimentos nos nossos corações.
Enquanto meu marido recebia um cavalinho de papelão
que, ao dar-lhe banho, ficou todo desfeito...
Lembro-me ainda, por essa altura, duma alcofinha forrada de tecido branco
às pintinhas de cor rosa,
com um bebé dentro,
tudo confeccionado pela minha mãe…
nesse tempo não sabia e para mim, tudo vinha do Céu,
pela chaminé.
Era o Menino Jesus, o meu Menino,
que me trazia,
assim como uma cartinha dizendo para me portar bem,
para ser uma boa menina e comer tudo.
Nunca fui boa para comer e sempre preocupei demais a família nesse sentido.
O portar-me bem, eu cumpri, ou fiz por cumprir,
o resto, ainda hoje, como somente o indispensável
para a minha sobrevivência, nada mais.
Lembro-me também de ter recebido, como prenda,
um ovo dentro de vários recipientes para fazer um truque de magia,
magia essa que todos temos de fazer
nas nossas vidas
para que, quando o menos bom bate á porta…
tudo fique mágico e por Deus
fiquemos bem sempre na Sua companhia.
Mais tarde, já com 8 ou 9 anos,
na cidade de Faro, onde vivi três anos da minha infância,
uma amiguinha de brincadeiras de rua…
sim porque naquele tempo, em Faro,
brincávamos todos na rua logo que as aulas acabavam.
Andávamos nas casas uns dos outros e, à noite,
as famílias iam para as janelas para nos acompanhar nas nossas brincadeiras…
especialmente no verão.
Nesta época de natal visitávamos as casas dos nossos amigos
para ver os presépios e,
em Janeiro, era para ouvir e cantar as “janeiras”.
Dizia eu, essa minha amiguinha veio-me confidenciar
uma grande descoberta que tinha feito…
não havia Menino Jesus…
eram os nossos pais que compravam e nos davam as prendas no natal.
Nem queria acreditar, os meus pais nunca mentiam…
por isso, eu só tinha que confiar neles
e não numa amiguinha de brincadeiras de rua.
O certo é que, no roupeiro,
estavam uma série de materiais escolares e de leitura
e também uma caneta de tinta permanente grená.
Quando no dia do sapatinho na chaminé
vejo tudo o que já tinha visto no armário…
nem tive coragem de dizer que todos eram uns falsos mentirosos
e que me tinham enganado durante tantos anos…
fui tão mentirosa quanto eles…
Ao mesmo tempo senti pena em os desiludir!
foi uma confusão de sentimentos
passados em minutos, segundos...
calei-me e fiquei com a minha mentira e a minha desilusão!
Sim, porque tudo o que nossos pais nos contam e dizem,
nem sempre é a verdade,
é sim a verdade deles e tal pode não ser a nossa verdade.
Há que saber filtrar e nunca nos desviarmos do bom caminho…
mas o caminho é só aquele que ELE
quiser e mais ninguém
tem o dever de se intrometer.
Ninguém é de ninguém,
nem mesmo nós somos donos dos nossos filhos,
nem eles são propriedade nossa.
Lá longe, algures,
o mesmo estava a acontecer a meu destinado companheiro,
hoje (há 34 anos juntos) meu marido
o pai de
nosso querido filho.

Os anos passaram e veio a adolescência, o namoro, o casamento.
Já grávida e tendo apanhado uma grande gripe,
foi necessário chamar o médico num dia de natal.
Relembro que nesse dia o meu marido ouviu,
através do estetoscópio,
o bater do coração do nosso bebé.
Foi uma bela duma prenda de natal…
uma das melhores das nossas vidas.
Há 31 anos tudo era diferente,
nem se sabia sequer qual o sexo do bebé que vinha a caminho.
Passados alguns dias o nosso filho nasceu.
A minha mãe, a meu pedido,
novamente me forrou uma alcofinha,
como já tinha feito para o sapatinho do natal,
mas agora era a sério, era para o futuro neto,
já de carne e osso, esse bonequinho com vida
estava deitadinho
numa linda alcofinha
e desta vez era de cor azul.

Todos os anos apanhávamos
musgo ou no Retiro,
ou na Assafora,
e, por último, aqui junto à Mata de Monsanto.
Como por magia as mesmas figurinhas todos os anos reapareciam.
E nós os dois, sempre em silêncio,
íamos elaborando o nosso presépio
cheio de elevações improvisadas
e com um espelho a fazer de lago.



Entretanto os natais sucederam-se com a família que ainda restava.
Todos os anos nos juntávamos aqui em casa
e quem fazia de Menino Jesus era o nosso pequenino
que ia à árvore de natal e retirava os embrulhos e distribuía por todos os presentes.



Durante ainda uns bons anos,
assim foi possível, até Deus o entender,
o podermos estarmos juntos ainda neste planeta Terra.

O pai, duas bisavós, uma avó e um tio muito, muito querido
que apesar da idade, tinha a maturidade
de nosso filho, 4/5 anos.

Quis poupar a desilusão sofrida
e nunca menti ao nosso filho, dizendo que descia pela
chaminé o Menino Jesus.
Procurei explicar-lhe que era através da Sua vontade
que conseguíamos comprar o que ele
ía receber
e dar
como prendas aos familiares presentes.


Os pais não sabem mesmo o que é melhor...
presentemente
ele diz,
que teve pena por não ter vivido
essa ilusão,
essa magia
do natal


Mais tarde,
no Natal de 2000,
o meu filho trouxe-nos o nosso neto, ao tempo com dois meses,
também deitado nessa mesma alcofinha
que lhe tinha servido de berço.
Foi uma das melhores prendas de natal
nestes últimos nove anos.
Era cerca da meia-noite do dia 24DEZ
que, pela primeira vez,
o nosso netinho
Daniel
veio aqui a nossa casa.
Posso garantir que nestes últimos nove anos
nada mais me recordo de tão agradável e tão bom.
Desde esse dia achei que o natal deveria ser todos os dias…
chamem-me idiota,
mas tenho Maria, José e o nosso Menino Jesus
na minha sala,
sempre exposto,
desde que meu netinho
nasceu

O nosso Presépio permanente
de cor
branca imaculada.

Tal como gostávamos que sempre fosse a nossa família,
fazemos, por vezes, grande, mas grande esforço
para atingirmos essa firme finalidade.


Evangelho do dia 6 Dezembro de 2009

«Esta é a voz daquele que grita no deserto:
preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas.
Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas;
as estradas curvas ficarão retas,
e os caminhos esburacados serão nivelados.
E todo homem verá a salvação de Deus.»